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Dietas da Moda!

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DIETAS DA MODA

Por: Daniela Pagan – Avaliare Centro Clínico Esportivo

A alimentação é um ato necessário e indispensável não somente para atender as demandas fisiológicas de um indivíduo, o simples ato de se alimentar contribui para a promoção da interação social e familiar. Dessa forma, é fundamental que a alimentação seja equilibrada e variada para que assim o organismo possa receber todos os nutrientes necessários ao seu adequado funcionamento e desenvolvimento. O fenômeno da superalimentação tem ocorrido em todo o mundo e associado a isso o sobrepeso e a obesidade vêm aumentando de forma alarmante, sendo considerados graves problemas de saúde pública, tanto em países desenvolvidos quanto em desenvolvimento, dentre eles o Brasil. Como consequência, há um crescente aumento dos casos de enfermidades associadas à obesidade e sobrepeso, como diabetes mellitus tipo II, alguns tipos de câncer, hipertensão arterial e doenças cardíacas…

Em contrapartida, na mídia falada e escrita, regularmente são publicados modismos dietéticos, o que induz os indivíduos a ilusões de emagrecimento rápido e sem sacrifício, que, além de não preconizarem a mudança de hábitos alimentares e a necessidade da prática de atividade física, não estimulam hábitos saudáveis, o que, a longo prazo, pode comprometer a saúde em muitos aspectos. Destacam-se, nesse sentido, as dietas com valor energético muito baixo, que podem promover a redução do metabolismo basal pela perda de massa muscular que será utilizada para fornecer energia ao organismo, e as dietas que excluem certos tipos de alimentos, culminando em carências nutricionais específicas.

Os meios de comunicação também desempenham forte papel na forma como os indivíduos enxergam seu corpo, incentivando a insatisfação corporal e o comportamento alimentar restritivo. No entanto, o efeito sanfona e a desnutrição são as consequências da substituição de uma alimentação saudável pelo hábito alimentar restrito em curto período de tempo. Com todos os problemas ocasionados pela obesidade, a sociedade passou a ver o corpo magro como sinal de saúde e beleza. Nunca o corpo esbelto esteve tão em evidência como nos tempos atuais; exposto em diversas revistas e canais de comunicação, tornou-se moda, transformando-se em sonho de consumo para milhares de pessoas.

Os hábitos alimentares são construídos a partir da família e da convivência social. Neste contexto, os meios de comunicação em massa vêm contribuindo significativamente para o aparecimento de conceitos errôneos a respeito da saúde na busca pelo corpo considerado ideal pela sociedade, crescendo assim o aparecimento de dietas inadequadas do ponto de vista nutricional. Estudos demonstram que a publicidade incentiva a perda de peso, influenciando o desejo de corpo magro. Os grupos mais atingidos são pertencentes ao sexo feminino e os indivíduos com excesso de peso, pois possuem maior história de tentativas para reduzir o peso.

As frases como “Perca 5 kg em uma semana”, “Enxugue em dois dias”, “Dieta Milagrosa” são muito comuns em manchetes no nosso dia a dia. A variedade de dietas que surge é demasiadamente grande, sempre com uma nova promessa de promover o emagrecimento ou ganho de massa muscular num piscar de olhos. Mas até que ponto a adesão a esse tipo de dieta traz benefícios à saúde do corpo e ao objetivo almejado/desejado? A grande maioria das dietas consideradas “da moda”, retiradas da internet ou adaptadas de acordo com o que “eu acho certo”, possui valor calórico total bastante baixo, promovendo, as vezes, uma perda de peso rápida. No entanto, a restrição calórica rápida e sem qualquer cuidado com as necessidades individuais pode causar desequilíbrios metabólicos a curto e longo prazo, podendo inclusive ir contra o objetivo inicial, seja ele qual for.

É imprescindível que uma boa dieta ofereça todos os nutrientes necessários para a manutenção da saúde física e mental. Os alimentos são formados essencialmente por macronutrientes (carboidratos, proteínas e lipídeos), fibra alimentar, micronutrientes (vitaminas e minerais) e outros compostos bioativos. A densidade nutricional do alimento é determinada pela quantidade desses elementos. Dessa forma, é importante consumir alimentos que ofereçam maior variedade de nutrientes para garantir um adequado estado nutricional. Em muitas das dietas, há o consumo excessivo e/ou exclusivo de alguns tipos de macronutrientes. Essa ingestão pode ocasionar exaustão de alguns órgãos vitais, como rins e fígado, prejudicando todo o funcionamento de filtração e metabolização de nutrientes. Além disso, a probabilidade de alguém continuar seguindo a monotonia alimentar é quase nula, fazendo com que os resultados obtidos regridam de forma ainda mais exacerbada.

É importante entender que as necessidades nutricionais de cada organismo são diferentes de pessoa pra pessoa – seja para objetivos esportivos ou perda de peso. O primeiro passo é conhecer quais são as necessidades individuais e estabelecer os objetivos específicos, para então ter um direcionamento personalizado adequado e nutricionalmente equilibrado. Programas de reeducação alimentar e incentivo a práticas físicas são de grande importância e devem ser promovidos, a fim de evitar o crescente número de casos de obesidade e sobrepeso e o uso indiscriminado de métodos não saudáveis para a redução de peso. Nesse sentido, torna-se imprescindível a atuação de uma equipe multidisciplinar composta por nutricionistas, educadores físicos, fisioterapeutas, psicólogos, médicos, dentre outros profissionais da área de saúde.

 

Nutricionista Daniele Capelato Pagan
CRN 6500
Mestranda em Atividade Física & Saúde (UEM/UEL);
Especialista em Nutrição Esportiva (Estácio de Sá);
Especialista em Saúde Coletiva (ASBRAN)
Graduada em Nutrição (PUCPR)
Afiliada Brasileira de Nutrição (ASBRAN)
Maratonista (Disney Marathon 2015)

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