Home Fisioterapia 5 lesões comuns em corredores de rua

5 lesões comuns em corredores de rua

Compartilhe
Runner training knee pain

Por: Eduardo Ruhling

A corrida de rua vem se tornando uma das atividades físicas mais populares do mundo e o número de corredores vem crescendo nos últimos anos de forma avassaladora. Porém, uma das consequências do aumento da popularidade da prática de corrida é o aumento das lesões musculoesqueléticas ocasionadas pela atividade.

A prevalência de lesão relacionada à corrida se concentra em tendinites e lesões musculares, que normalmente vem ligada ao aumento do volume e intensidade dos treinos. Para quem sempre questiona quais são as principais lesões que acometem o atleta de corrida, na sequência citamos as que são mais frequentes na nossa vivência clínica na fisioterapia esportiva, com apenas alguns itens que possam auxiliar os corredores.

1)Fasceite plantar: Uma lesão muito comum na prática da corrida, se trata de uma inflamação na fáscia plantar, uma faixa que reveste a planta do pé e tem a função de amortecer impactos e sustentar o peso corporal. Se a fáscia plantar estiver tensionada demais pode provocar microlesões comprometendo algumas fibras da faixa. Quando crônica, favorece o surgimento do esporão de calcâneo.

Causa: Fator mais ligado a corrida e o excesso de corrida, sobrepeso e fraqueza da musculatura dos pés, além do excesso de horas em pé, além de pé plano.

Sintomas: Dor após o despertar, caráter cortante, alguns casos mais crônicos chegando a sentir durante a corrida ou quando fica horas em pé.

Tratamento: Inicialmente o repouso é importante, alongamento da fáscia plantar, automassagem com gelo (pode ser utilizado uma garrafa de água congelada), fortalecimento da musculatura dos pés, além do tratamento com onda de choque e palmilhas posturais.

2) Tendinite calcâneo também conhecida como tendinite de Aquiles, ocorre no tendão mais potente do corpo humano, que é o tendão calcâneo. Esse é formado por um tecido com fibras alinhadas em paralelo e pouco vascularizadas; essas fibras fazem a transferência de força dos músculos da panturrilha para os ossos e é um dos responsáveis por saltos e por ficar na ponta dos pés. Nesta tendinite o alinhamento das fibras fica alterado, existem microrupturas e degeneração da estrutura, normalmente acometendo uma região de 2 a 6 centímetros acima da inserção, que é uma zona com vascularização reduzida. Ou pode acometer na inserção ficando esse tendão mais espesso e inchado, e normalmente se torna mais crônica.

Causa: As causas mais comuns desta condição incluem treino de tiro, saltar ou qualquer atividade onde é provável que use excessivamente ou distenda os músculos da perna. Correr, aterrar os pés no solo de forma inadequada, falta de flexibilidade nos músculos da panturrilha e até mesmo usar sapatos inadequados.

Sintomas causa dor a palpação, edema e rigidez matinal no tendão. A dor será mais intensa após o exercício.

Tratamento: Para prevenção e tratamento da tendinite de calcâneo, o paciente deve evitar fatores de risco. Pode diminuir a carga dos treinos, usar calçados adequados, uso de palmilhas posturais, gelo após atividades e tratamento com onda de choque. Dentro da fisioterapia encontramos bons resultados ao exercício excêntrico (enquanto se faz a volta de um movimento) para a panturrilha.

3) Síndrome do estresse da tíbia medial (SSTM) ou periostite medial de tíbia e popularmente conhecida como “Canelite, é definida como uma inflamação do periósteo, uma membrana que o copo dos ossos (com exceção das articulações) e é composto por vasos sanguíneos e nervos. É esta sua composição, causando fadiga repetitiva antes que possa inflamar e causa dor.

Sintomas: O paciente se queixa de dor difusa ao longo da borda medial da tíbia, geralmente melhora com o aquecimento. Eventualmente a dor pode surgir tardiamente, na medida que há persistência no exercício, a dor se torna mais aguda, persistente, podendo surgir durante a deambulação e o repouso.

Causa: São causadas por impacto intenso sobre os calcanhares, como corrida de rua, corrida de curta distância e principalmente, corrida em descida. Outros fatores também podem agravar a dor, como calçados inadequados, superfícies duras, treinos excessivos e a forma de treinamento. Obesidade e desequilíbrio de membros inferiores interferem.

Tratamento: O tratamento conservador é feito através de redução dos exercícios, evitar terrenos duros, correção das anormalidades biomecânicas (osteopatia), massagem desportiva (elas são especialmente úteis para soltar os músculos da perna e qualquer tecido cicatricial), uso  de meia compressiva para acelerar a recuperação. Além dos alongamentos e crioterapia após atividades.

4) Tendão patelar: Tendinopatia do tendão patelar acomete frequentemente atletas que sobrecarregam o aparelho extensor do joelho, correndo ou de saltos frequentes. A sobrecarga excessiva no tendão pode provocar alterações na matriz extracelular que cronicamente poderá levar a um quadro de tendinose. Ocorre principalmente na região do pólo inferior da patela.

Sintomas: A dor é relatada na região anterior do joelho, principalmente no pólo inferior da patela. O início dos sintomas geralmente é gradual, principalmente após atividade física, e muitas vezes se torna contínua.

Causas: Patologia causada por esforço repetitivo sobre o tendão patelar. Fatores predisponentes incluem maior peso corporal, genu varo e geno valgo, patela alta, diferença no comprimento do membro, encurtamento das cadeias musculares, principalmente da posterior (M. isquiotibiais). Desequilíbrio da dissipação de força pelo quadril pode se tornar uma causa. De uma certa maneira, o quadríceps deixaria de absorver toda a energia cinética e o tendão acaba sendo sobrecarregado, sofrendo microruptura e degeneração.

Tratamento: Programas de fortalecimento excêntrico têm tido melhores resultados em seu tratamento, sendo superior a outras formas de intervenção. Além do controle dos fatores causais como alongamentos (principalmente da cadeia cinética posterior), massagem desportiva com objetivo de depressão da patela, osteopatia para controle do quadril, gelo 3 x por dia, ondas de choque e chegando alguns casos ser necessário intervenção cirúrgica.

5)Condromalacia patelar, também conhecida “joelho do corredor” é um desgaste da cartilagem articular entre patela e fêmur. É um mal presente entre corredores, e ela pode também afligir a indivíduos que pedalam, pulam ou até mesmo caminham.

Sintomas: Esse problema começa com uma dor profunda no joelho e à volta da patela durante a execução de tarefas básicas como subir e descer escadas, piorando continuamente quando não tratado. Esta dor pode apresentar crepitações, estalidos e edema.

Causas: Condromalácia patelar pode aparecer a partir de alterações no alinhamento ósseo quadril com fêmur-patelar. Corredores com a pisada alterada, atletas com pouca flexibilidade muscular  e valgismo dinâmico são mais propensos a sofrerem com essa lesão. Esses fatores, associados ou não à fraqueza dos glúteos médio e máximo, podem fazer com que o atleta corra realizando uma rotação medial e adução do joelho.

Tratamento: A cartilagem é um tecido que não se regenera fácil. Por isso o ideal é identificar o problema o quanto antes e, acima de tudo, prevenir. Será necessário encontrar alternativas para corrigir a biomecânica do atleta e proporcionar uma vida útil maior à cartilagem. Corrigir desequilíbrio muscular (principalmente musculatura rotador externos de quadril), gelo, flexibilidade cadeia posterior e lateral, bandagens corretivas e controle da pisada.

É fato que todo corredor quando sente uma lesão a primeira frase que ele cita “Vou trocar de tênis” ou “ Estou correndo errado”, sendo que 90% das vezes é por falta de um fortalecimento adequado associado a corrida ou excesso de volume de treino sem o devido descanso. É isso que diferencia a corrida ser um remédio ou um veneno para o corpo: sua dose! Indicamos sempre nossos pacientes a não fazer o uso da automedicação, principalmente antes de provas, pois podem afetar negativamente o desempenho das vísceras, além de mascarar uma possível lesão. E sempre procurar um médico ou fisioterapeuta para um melhor diagnóstico da lesão.

Eduardo Ruhling
SportFisio
CREFITO: 183216 -F
Fisioterapeuta desportivo
Formação em Osteopatia estrutural
Fisioterapeuta da seleção brasileira de Handebol

Deixe uma resposta